Uma das maiores frustrações da minha vida foi não ter tido uma família grande, unida e feliz e temo que isso será retransmitido aos meu filhos.
Hoje em dia minha mãe mal fala com sua própria irmã, eu detesto minha mãe por ter deixado isso ocorrer, não que minha tia não pudesse ter feito algo mas eu sei que lá no intimo isso incomoda muito meus tios, mas minha mãe acha que é melhor assim então a culpo. A culpo por não aceitar opiniões diferentes de quem só lhe desejou bem e muitas vezes lhe foi mãe enquanto sua mãe estava no fundo do poço da depressão, tão abaixo que não conseguia olhar a Andréa menina que não faço ideia se algum dia chegou a ser doce.
Entre tudo isso houveram perdas. Perdas difíceis demais. Minha vó querida se foi e na doença dela eu quase enlouqueci junto, com sua doença, com meu namorinho idiota escondido. Como eu me arrependo de não ter dado mais atenção a ela, de não ter cortado minhas relações com aquele verme mais cedo, eu me odeio por isso, eu odeio ele do fundo da minha alma por nunca ter deixado de ser o filhinho da mamãe e acordado para o fato do mundo não rodar em torno dele. Fora a época que ele me oprimiu e fez chantagem, mas o ser é tão desprezível que nem vale a pena gastar palavras pra descrever.
Minha vó se foi por lhe faltar ar e eu a amava muito, e tentei não chorar. Eu sabia o que havia ocorrido quando minha tia ligou no meio daquela noite, eu sabia porque meus pais haviam saído daquele jeito. E eu tentei ser forte mas tudo desmoronou quando vi aquele caixão.
Quando foi a vez do meu vô eu quis expulsar meu pai daquele velório, de certo modo tentei me redimir pela minha vó no meu vô. Só trabalhava e ficava no hospital. Em um dos dias de lucidez dele eu o ouvi conseguir dizer pra mim :
" É muito bonito o que você está fazendo"
Nesse momento eu tinha certeza que estava fazendo a coisa certa, nesse momento eu mal consegui me segurar. Eu me vi sendo mais presente naquele momento do que a própria filha dele.
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